"O passado não abre a sua porta
e não pode entender a nossa pena.
Mas, nos campos sem fim que o sonho corta,
vejo uma forma no ar subir serena:
vaga forma do tempo desprendida.
É a mão do Alferes, que de longe acena.
Eloqüência da simples despedida:
‘Adeus! Que trabalhar vou para todos!...’
(Esse adeus estremece a minha vida..)"
São palavras que me surpreenderam ontem, antes de dormir. Não foi à toa que perdi o sono. Lembrava dos três últimos versos. Meu deus, eu ando esquecida das palavras. Como ando.
Palavras andam me rondando. Pergunto se elas voltaram para ficar, enfim. Nada respondem.
Ontem comecei um exercício mental de pensar em coisas boas. Difícil. O tempo tem me tornado velha rabugenta.
Boas lembranças se perdem no limbo dos conflitos. Preciso exercitá-las.
A essência não morre nunca. Onde se esconde, então?
Eu penso e ninguém responde.
Mas já é outro dia.
Minha mente tem defeitos. Ela repete os pensamentos. Nada que se conserte, acho. Idéias ruins, chatas.
Outro dia quase enlouqueci. Mentira. Eu quase enlouqueço quases todos os dias. Quase todas as horas. É um puff e o mundo desaba.
Puff.
(Não, não desabou).
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